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IV Ser EducAção: «É preciso uma aldeia para educar uma criança»

De 7 a 9 de Setembro, a Vila de Soajo no Gerês volta a ser palco de palestras, oficinas, jogos, vivências e experiências educativas, para miúdos e graúdos de todas as idades. É o já habitual Encontro Ser EducAção que abre agora as portas da sua quarta edição, convidando de novo todas e todos a reflectir sobre a escola que desejam ver tornar-se realidade.

Cartaz do IV Encontro Ser EducAção. Design: Nuria Barreras
Cartaz do IV Encontro Ser EducAção. Design: Nuria Barreras

Este ano o evento será brindado com a participação do afamado pedagogo e professor José Pacheco, fundador da Escola da Ponte em Santo Tirso, com uma palestra de encerramento no domingo à tarde, e também com um concerto de Rão Kyao, a abrir a programação na sexta-feira à noite, ambos na Casa do Povo.

Pelo meio não faltarão actividades de exploração de pedagogias alternativas, passando por vários espaços comunitários de Soajo – da Casa do Povo até aos Baldios, passando pela Escola Primária e Centro Social.

Inspirado no provérbio africano «é preciso uma aldeia para educar uma criança», o mote desta quarta edição é a Comunidade – tema que será explorado em frentes diversas e complementares, como explicam as organizadoras do evento da associação Moving Cause:

«Vamos explorar a Floresta-Escola circundante e experimentar a gestão comunitária de baldios, com o projeto de Mini-compartes. Vamos ter um ciclo de palestras sobre Educação em Transformação onde poderemos conhecer projectos educativos inovadores e inspiradores. Como a Comunicação é um dos grandes desafios que as comunidades encontram, vamos praticar formas de Comunicação Consciente e vamos partilhar as nossas experiências e vivências através de Oficinas de Rádio. Vamos recordar e valorizar os saberes locais reaprendendo os Jogos Tradicionais que se jogavam por estas serras e vamos pôr as mãos no barro no atelier de Cerâmica em Família

Haverá ainda sessões de yoga, meditação, culinária, música e pintura com as Aguarelas da Terra.

O encontro é organizado pela associação Moving Cause desde 2015, e conta com o apoio da Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, Junta de Freguesia de Soajo, Centro Social e Paroquial de Soajo, Associação de Compartes dos Baldios de Soajo, Associação Desportiva e Cultural de Soajo, Agrupamento de Escolas de Arcos de Valdevez, Casa das Artes, Casa das Brincadeiras em Construção, bombas de gasolina BP de Arcos de Valdevez para as deslocações dos convidados, e Soajeiros.

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Comunicado: Novos vôos para a AMAP

O mês de Julho de 2018 marca um ponto de viragem nas Associações pela Manutenção da Agricultura de Proximidade que estiveram a ser dinamizadas pela associação Moving Cause nos últimos anos.

Com o fim de um estágio parcialmente financiado pelo IEFP, que apoiou o trabalho de facilitação das AMAPs do Porto e Gaia ao longo dos últimos 12 meses, surgiram várias questões, internas e externas, sobre o futuro do projecto AMAP na Moving Cause.

A direção da Associação Moving Cause pretende com o presente comunicado clarificar este assunto, começando por fazer um balanço do projecto das AMAPs na associação, e terminando com algumas perspectivas para o futuro.

Mobilizar a causa das AMAP: uma relação de quatro anos

Desde 2014 que a Moving Cause organizou e promoveu várias iniciativas ligadas com o conceito de AMAP, nomeadamente:

2014-2016 – apoiou a criação e funcionamento da Associação pela Manutenção da Economia de Proximidade (AMEP), uma rede de consumo inspirada nas iniciativas AMAP que introduziu a possibilidade de aquisição de produtos com moeda social em detrimento do euro.

I Encontro Nacional das AMAP, Serralves, Porto (2015). Foto: Ramon
I Encontro Nacional das AMAP, Serralves, Porto (2015). Foto: Ramon. Clique para ver o álbum no Facebook.

2015 – organizou o I Encontro Nacional das AMAPs em Serralves, que juntou duas centenas de consumidores e produtores e organizações de diferentes pontos do país – e onde nasceu o programa O Som é a Enxada, da Rádio Manobras, que até hoje segue divulgando regularmente as actividades da AMAP.

2016 – apoiou a criação das AMAPs de Gaia e Porto, e participou em encontros em Odemira e Abrantes, com outras AMAP do país, que permitiram definir a Carta de Princípios das AMAP portuguesas e as bases para a criação de uma Rede Nacional de AMAPs.

Produtores AMAP no Cantinho das Aromáticas em Gaia (2016)
Produtores AMAP no Cantinho das Aromáticas em Gaia (2016)

2017 – Apresentou o conceito AMAP em diversos eventos e conferências, como a +BIO, Food Futures e Cidade+.

2017/2018 – apoiou a contratação de uma estagiária (através do programa Medidas de Inserção do IEFP) para poder levar a cabo o trabalho de organização de encomendas e facilitação de informação entre produtores e consumidores das AMAPs do Porto e de Gaia. Este estágio não atingiu o objectivo de se auto-financiar e deixou na associação um défice de cerca de 720 euros (ver relatório de contas).

Perspectivas para o futuro das AMAP

As AMAP assentam em três princípios basilares: a relação de escala humana (sem intermediários), a agroecologia e o alimento como bem-comum (e não como mercadoria).

Entendemos que para honrar estes princípios, tanto consumidores como produtores devem assumir “como podem e como sabem” (citando Alfredo Sendim) a co-responsabilidade sobre a gestão e funcionamento de cada grupo de consumo.

Assembleia-Geral AMAP, Dezembro de 2017. Um resumo pode ser ouvido n'O SOM É A ENXADA #62
Assembleia-Geral AMAP, Dezembro de 2017. Um resumo pode ser ouvido n’O SOM É A ENXADA #62

Após o trabalho desenvolvido pela Moving Cause nos últimos anos, que permitiu alavancar novas AMAPs em Portugal, chegou o momento de nos afastarmos do trabalho administrativo e logístico inerente à gestão e facilitação dos projectos locais, e deixar espaço para que os grupos de consumo passem a funcionar de forma mais autónoma, como satélites AMAP.

Mantemos obviamente as portas abertas e a disponibilidade em apoiar e divulgar o conceito das AMAPs, sendo esta uma iniciativa que vai ao encontro dos valores e missão da Associação. Pretendemos, na medida do que nos for possível, continuar a trabalhar para o crescimento e fortalecimento da Rede AMAP.

A pedido de várias produtoras, disponibilizámos algumas das infraestruturas de comunicação e informação por nós criadas, como o website, os emails e as redes sociais. Quem quiser apoiar o trabalho que a associação tem feito (nomeadamente na manutenção destas infraestruturas) e ajudar-nos a fazer crescer projectos como a AMAP, pode associar-se à causa ou fazer um donativo para o IBAN PT50 0033 0000 4537 5584 7020 5 (enviar comprovativo de transferência para info@movingcause.org).

Procurando sempre um caminho de colaboração e entendimento, estamos disponíveis para crescer juntos, aprendendo com os desafios que vão surgindo!

Bem haja!

Cidade+: celebrar a sustentabilidade

O evento que celebra a Sustentabilidade acontece já este fim-de-semana. Esta é a 5ª edição do CidadeMais nos Jardins do Palácio de Cristal, das 10h00 às 20h00, sábado e domingo.
 
Seria mais uma vez um enorme prazer voltar a contar com vocês na sessão de abertura  Conferência “Terra: a Nossa Casa Comum, no Sábado, dia 7 de julho, pelas 10h no auditório da BMAG, e no momento festivo de abertura, com a Batucada Radical, logo a seguir pelas 13h na Alameda das Tílias dos Jardins do Palácio de Cristal.
 
Segue-se o resto da programação com 11 Espectáculos, 9 Aulas Abertas, 21 Oficinas, 5 Visitas Guiadas, 14 Conversas, uma Mostra Empresarial no RedeMais com 14 Projetos, 40 Mercadores e 20 Associações.  

https://youtu.be/K1owa7dg68w

Volta a ser um ponto de encontro para simplificar a sustentabilidade e despoletar a partilha entre pessoas, projectos, autarquias, instituições e empresas. 

Transição: as peças começam a encaixar-se

Tradução do artigo publicado no website da Transition Network com o título FALLING INTO PLACE – Action points from the Transitionese project, escrito por Deborah Rim Moiso em celebração do Dia Internacional da Tradução, 30 de Setembro.

Quando trabalhamos em processos criativos e colaborativos, o que muitas vezes acontece é que, mais do que seguir um plano, intuímos um caminho, escutamos, interagimos, e, de repente, de alguma forma, as peças começam a encaixar-se. E foi mais ou menos isso que senti esta semana enquanto cortava-e-colava materiais do hub italiano para montar um mosaico de conteúdos da Transição, na preparação do lançamento do website do projecto “Transicionês”, agendado para a última semana de Outubro (marquem na agenda!).

O “Transicionês” (Transitionese) é uma viagem de um ano pelo mundo das línguas, das traduções e da diversidade linguística da Transition Network. Juntamente com a Sara e o Pedro, da associação Moving Cause, apresentámos as nossas ideias quando arrancámos com o projecto, em Março, e partilhámos algumas notas de campo quando estávamos a definir o nosso itinerário, em Maio. E agora cá estamos nós no Outono, já próximos do prazo final do projecto, e finalmente a conseguir ver o panorama geral enquanto este vai ganhando forma.

O sonho colectivo que se delineou para o website do projecto incluía a criação de um mosaico de conteúdos coloridos e cativantes, abrindo muitas portas novas para a história que está a ser co-escrita por diferentes grupos, indivíduos e iniciativas todos os dias… e pretendia também facilitar o acesso a vídeos, documentos e manuais. Terá páginas em diferentes línguas e mostrará o trabalho que tem sido feito por equipas de tradutores por todo o mundo. Na última semana de Outubro o website ficará disponível, e vamos fazer uma conferência web aberta a todos os interessados em aprender mais sobre o projecto e que queiram de alguma forma contribuir,  ou simplesmente partilhar as suas reacções e ideias para futuros melhoramentos.

Para além deste projecto mais público, vamos também apresentar algumas ferramentas de apoio à tradução de conteúdos da Rede de Transição: guias de estilo, fichas técnicas com ideias e aprendizagens sobre trabalhos passados, e uma ferramenta colaborativa para projectos maiores que poderá beneficiar as abordagens de tradução colaborativa.

Desde o início que temos estado a alimentar um glossário com palavras desta língua, Transicionês: se tiveres as tuas favoritas, partilha connosco através do Twitter (com a hashtag #transitionese), na secção de comentários aqui abaixo, ou por email. No Reino Unido, há quem tenha começado a usar a transição como um adjectivo, do tipo “That project is transition-y”. Como poderíamos nós traduzir isso? Transicioneiro?

Tempo de colheita! Vindimas em Fafe, Portugal. Foto de Sara Moreira
Tempo de colheita! Vindimas em Fafe, Portugal. Foto de Sara Moreira

Nestes dias de colheita outonal, a nossa equipa anda atarefada com a recolha e organização de materiais em diferentes línguas. Alguns destes conteúdos são traduções sumarentas que foram apanhadas directamente da árvore. Outros caíram com o vento… pedaços esquecidos de informação útil, que talvez tenham ficado enterrados por baixo da poeira da internet. À medida que fui percorrendo este processo de recolha para o meu hub, Transição Itália, soube-me mesmo bem olhar para todos os documentos, um-a-um, ler os nomes de tanta gente que esteve envolvida na construção de pontes linguísticas, e ver tudo como um todo, até que infine!

Como uma constelação crescente de grupos, hubs e iniciativas, a Transição almeja ser uma organização de aprendizagem. Grande parte desta aprendizagem vem com processos de feedback, parar para pensar, reflectir e recolher. É um processo gratificante por si só, fazer um balanço de tudo o que fizemos, apreciar as suas tonalidades brilhantes e, talvez, começar a ver onde é que ainda existem lacunas, o que mais poderia ser feito para completar o quadro.

Contar histórias com o coração: Teatro de Sombras na eco-aldeia de Monzuno em Itália. Foto de Antonio Graziano
Contar histórias com o coração: Teatro de Sombras na eco-aldeia de Monzuno em Itália. Foto de Antonio Graziano

Queres ajudar-nos nesta colheita? Conheces documentos da Transição que tenham viajado pelo mundo fora? Escreve-nos para transitionese no gmail.com.

Foto de destaque: Globos de ptwo no Flickr CC-BY

E se fossemos todos prossumidores?

A Filipa Almeida e a Sara Moreira foram ao Eco-Festival Terra Mãe, em Fafe no final de Julho, falar sobre o modelo das Associações para a Manutenção da Economia de Proximidade (AMEP).

A apresentação e o debate que se seguiu podem ser ouvidos no programa O Som é a Enxada, em parceria com a Rádio Manobras. No final ouvimos Maneio numa interpretação dos Cabra Çega, banda que actuou no festival com o mote “três dias para mudar o mundo, três dias para mudar de vida”.