Entrar em Transição

A Moving Cause foi convidada a dinamizar uma oficina de recapacitação no seminário internacional Porto, Cidade em Transição, sob o mote “Semear Alternativas – experiências facilitadoras de (trans)acções” .

O desafio que nos foi lançado pela rede de Iniciativas de Transição junta o projecto AMEP, a rede ECOSOL do Porto e o movimento Covilhã em Transição. Em diálogo com estes projectos, vamos partilhar a nossa experiência de dinamização do grupo de “prossumidores” AMEP e explicar como pode funcionar uma Associação pela Manutenção da Economia de Proximidade baseada na troca semanal de alimentos usando uma moeda social.

Através do Boletim “Folha de Couve é possível acompanhar trimestralmente notícias da “Plataforma das Iniciativas de Transição em Portugal”.

O caminho para preparar as sementes necessárias para fortalecer o empoderamento do indivíduo, fomentar a fraternidade e os valores comunitários através da criação de trocas de saberes, produtos e serviços e experiências com moedas sociais/solidárias/alternativas.

Esperamos assim inspirar outras pessoas ou grupos com vontade de replicar o modelo que criamos, e também aprender em conjunto sobre formas de tornar a nossa comunidade mais resiliente.

Rumo à abundância frugal

Produtos e pagamentos
Arranque da AMEP / Moving Cause – Espaço Compasso, Novembro de 2014.

A acção desenrola-se à volta de uma mesa. Sobre a toalha florida estão dispostos frascos de paté e iogurte caseiro. Alguém por gentileza deixa ficar um saco de malaguetas sino-de-natal. Outro traz uma amostra de cogumelos pleurotus conservados em azeite. As marmitas já foram confeccionadas, mas ainda estão lá atrás, na Ecozinha, a ser embaladas pela mesma pessoa que tem espalhado pezinhos de alface e acelga pelo Espaço Compasso, como viveiro, petisco ou decoração.

Num final de tarde outonal, vão-se cruzando à volta da mesa as 15 pessoas que formam o grupo inicial da AMEP – Associação Pela Manutenção da Economia de Proximidade – uma rede pioneira de consumo e produção de bens alimentares que tem uma característica invulgar: os produtos que ali se vendem – e compram – são pagos numa moeda alternativa (e muito poucos euros).

No ciclo experimental da AMEP que arrancou no passado dia 26 de Novembro, 9 produtos foram colocados à disposição do grupo pela mão de 7 destemidas produtoras que responderam ao desafio lançado pela associação Moving Cause: vender as suas iguarias em troca da moeda ecosol.

Iogurtes bio, marmitas vegan, patés & molhos, marmelada, bolachas, kombucha, sabonetes e cremes artesanais – toda uma panóplia de belíssimos objectos comestíveis (ou esfregáveis) que ao longo de 4 semanas irão chegar aos braços (sem chegar aos bolsos) de quem participa nesta primeira experiência AMEP.

O espaço abre-se ao acaso de tudo o que pode surgir quando somos confrontados com a nossa própria inutilidade.

A AMEP é uma provocação ao tipo passivo. A AMEP deseja espalhar a semente do “prossumidor” – que não se confunda com aquele que sume! – e convida cada consumidor a ser um nó activo, produtivo e fértil desta rede de resiliência. A AMEP é a função performativa do alimento enquanto motor para a mobilização de uma utopia concreta. O desejo é tão só construir uma sociedade de abundância frugal¹. Começamos no nosso ninho, começamos no nosso prato, começamos a cuidar da terra – já estamos a lavrar os sonhos. Chegará o tempo das hortícolas carnudas.

O ciclo experimental da AMEP continua até ao dia 17 de Dezembro, todas as quartas-feiras das 18:30 às 19:30 no Espaço Compasso. E depois… continua!

Sabões artesanais. Produtora: Luísa Carvalho
Produtos disponíveis na segunda semana: iogurtes, marmelada, marmitas, patés, kombucha, cremes e sabões artesanais (na foto).  Embalados com tecidos coloridos de algodão, os sabões da Luísa Carvalho são feitos com azeite e óleo de coco e salpicados aleatoriamente de ervas, sementes, argilas e cheiros naturais. Preço: 1,5 ecos.

Resumo do 1º ciclo AMEP
26 de Novembro a 17 de Dezembro de 2014

10 consumidoras + 5 consumidores
7 produtoras
9 produtos
– iogurtes bio, marmitas vegan, patés & molhos, marmelada, bolachas, kombucha, sabonetes e cremes artesanais –
Volume de transacções:
167,9 ecos + 27 euros

¹"Abundância frugal: receita anticrise"
Entrevista com Serge Latouche no website do Instituto Humanitas UNISINOS.

Fortalecer a economia de proximidade

Queremos resgatar as relações de proximidade com quem produz aquilo que comemos e promover o papel activo da vizinhança no cultivo, confecção e troca de bens alimentares.

Para isso unimo-nos à rede de economia solidária do Porto – ECOSOL – e criamos o conceito de AMEP.

A AMEP – Associação pela Manutenção da Economia de Proximidade – é uma rede de consumo, produção e distribuição local de alimentos no âmbito da economia solidária no Porto. Inspirada nas AMAP (Associações para a Manutenção da Agricultura de Proximidade) – nascidas  em França, em 2002, com o objectivo de apoiar pequenos produtores que pratiquem e ofereçam produtos de agricultura biológica num contexto de proximidade com o grupo de consumidores -, a AMEP introduz a possibilidade de aquisição de produtos com moeda social em detrimento do euro.

Do lado dos PRODUTORES, já temos inscrita a promessa de cogumelos shitake, alguma fruta da época, cerveja artesanal, marmitas/refeições vegans & bio, molhos, patés, conservas, piri-piri, compotas, kombucha, marmelada, sabonetes, e, a seu tempo, quando a estação o permitir, mais hortícolas a gosto.

Ainda estamos a aceitar pré-inscrições de produtos a juntar aos cabazes! Podes fazê-lo através deste formulário.

Do lado dos CONSUMIDORES, já temos um pequeno grupo de pessoas interessadas em participar no ciclo experimental de distribuição. Estamos a organizar um encontro de lançamento da iniciativa, em Novembro, onde serão prestados mais esclarecimentos, será feita uma prova dos produtos, e tentar-se-á definir o primeiro calendário / mapa de distribuição.

Se também queres participar, agora é o momento de indicares a tua disponibilidade aqui.

Para qualquer dúvida, estamos ao dispôr através do email amep@movingcause.org.

Onde vai ser feita a distribuição dos cabazes?
Algures em Cedofeita, no Porto. Ainda estamos a definir o lugar.

Quando começa?
A ideia é fazer um primeiro ciclo experimental a partir da segunda metade de Novembro de 2014, até ao Natal. Em 2015 continuamos em força em ciclos trimestrais.

É preciso adquirir cabazes completos com todos os produtos?
Cada consumidor compromete-se com a variedade e quantidades que quer, isto é, indica no início de um ciclo de produção/consumo aquilo que vai querer nas semanas seguintes.

O que é esta “moeda social”?
É uma moeda virtual, alternativa, que já está a circular no Porto. Podes saber mais sobre a ECOSOL e inscrever-te aqui: https://communities.cyclos.org/ecosolporto.

Como posso saber mais sobre o projecto?
Toda a informação, incluindo a Carta de Princípios AMEP, está neste link: https://www.movingcause.org/projectos/amep-porto/

Estamos de volta!

muuvingcows
«Eu vo-lo digo: é preciso ter ainda um caos dentro de si
para gerar uma estrela dançante.»

Assim falava Zaratustra

E depois das primeiras ninhadas terem aprendido a voar, as andorinhas resolveram descansar. Recolhendo-se no ninho, apreciaram apenas… Repousaram, permitindo-se ser.

Algum tempo passou e as andorinhas ganharam ânimo renovado e novas vontades! Mas repararam que o ninho precisava de “arranjos”. Os alicerces precisavam de reforço, as paredes careciam de palha, até mesmo o ar precisava de arejar. E, foi então, que depois de grande azáfama e reunião, o “ninho” estava pronto para mais uma temporada: a nova “casa” podia agora albergar novos projectos e todos aqueles que precisassem de abrigo para “criar”.

Por alturas da Primavera a Moving Cause começou a mobilizar dois novos projectos: a Terra das Crianças, na vila do Soajo (Arcos de Valdevez), e o Vou Levar-te Comigo, em Cedofeita (Porto).

O primeiro, um projecto na área da educação para a cidadania, direcionado para as crianças do Soajo, com o objectivo de promover a ligação entre as crianças e o ambiente envolvente, estimulando o sentido de responsabilidade e o envolvimento das suas famílias.

O segundo, um projecto direccionado para a organização do desperdício, em meio urbano, onde se pretende promover a organização e o aproveitamento dos recursos reutilizáveis, despertando para outras formas de consumo mais sustentáveis.

Já abrimos também as portas para o mundo e reconstruimos o site com uma nova “cara”.

Mais projectos estão a surgir e mais causas serão movidas! Vamos dando notícias do mundo das utopias concretas.

Até já!

As Andorinhas

Salinha no Compasso - reunião no escritório temporário da Moving Cause na Associação Espaço Compasso, Fevereiro de 2013.
Salinha no Compasso – reunião no escritório temporário da Moving Cause na Associação Espaço Compasso, Fevereiro de 2013.

Soajo já tem Terra das Crianças

IMG_0420
Em vésperas do Dia da Criança, a Casa do Povo do Soajo acolheu uma festa organizada pela Moving Cause que culminou na entrega de um pedaço de terra às crianças da vila.

Este foi um grande passo na concretização do projecto “Terra das Crianças”, que pretende trazer para o Soajo um espaço inteiramente dedicado aos mais pequenos: um lugar planeado e desenvolvido com a sua total participação, onde se realizem actividades fora do tempo de escola e outras inseridas no programa escolar, onde as crianças possam brincar e aprender desenvolvendo no processo laços entre si e a terra que as acolhe.
IMG_0410 - Cópia

Foi exactamente o fortalecimento de laços entre as crianças e a terra que serviu de mote à festa que tomou lugar no dia 30 de Maio de 2014.

Manifesto da “Terra da Natureza”, nome escolhido de forma consensual pelas crianças do infantário.
Manifesto da “Terra da Natureza”, nome escolhido de forma consensual pelas crianças do infantário.

A manhã primaveril encheu-se de alegria e emoção com uma “Caça ao Tesouro” que conduziu cerca de 20 crianças pela descoberta e exploração do espaço agora gentilmente cedido pela Associação da Casa do Povo da Vila do Soajo:

A direcção da Casa do Povo da Vila do Soajo vem apoiar este projecto que tem como objectivo a ligação das crianças com o ambiente, trabalho em hortas, florestas, arte e música na natureza, estimular o sentido de responsabilidade das crianças promovendo o envolvimento da família na actividade. As crianças podem assim criar áreas verdes, cuidando assim do solo e dos animais que lá vivem, conservar a biodiversidade promovendo nas crianças conhecimentos, habilidades e valores, para que se tornem cidadãos amigos do ambiente. A Casa do Povo vai colaborar com este projecto com a cedência do espaço.

Trata-se de um lugar comunitário, localizado dentro do recinto da própria associação, perto do centro da vila, próximo de um campo de jogos, com um terreno disponível para realizar actividades e criar infra-estruturas para hortas, abrigos e zona de baloiços.

A iniciativa foi muito bem recebida por toda a comunidade presente, crianças do infantário e primária, professores, pais, representantes da associação de pais do agrupamento dos Arcos de Valdevez e vice-director do agrupamento, presidente da junta e presidente da associação da Casa do Povo.

IMG_0413

IMG_0421

IMG_0423

Casa do Povo, Soajo
Casa do Povo, Soajo

Organizando o desperdício

Em Fevereiro deste ano, o projecto Vou Levar-te Comigo foi apresentado à Divisão do Ambiente da Câmara Municipal do Porto, que o recebeu com entusiasmo. A reunião foi muito “frutífera” tendo-se “limado” algumas arestas logísticas.

A partir desse ponto, a equipa do projecto definiu a área piloto, alvo desta primeira edição, numa zona da freguesia de Cedofeita, da cidade do Porto.

Área piloto
Área piloto

Esta zona apresentou-se como o melhor ponto de partida devido a alguns factores: a sensibilidade da população local para o tema e a existência de uma rede de vários potenciais parceiros. Além de que os potenciais voluntários, que possam vir a estar envolvidos residem nas proximidades do local, facilitando a promoção e o sucesso do projecto.

Neste momento estão a ser retomados os contactos com a Divisão do Ambiente da Câmara Municipal do Porto com o intuito de definir todas as questões logísticas para a execução do projecto.

O passo seguinte é o contacto com os potenciais parceiros locais, para que todos os actores possam ser envolvidos e sensibilizados.

Até já!

A equipa do projecto,

Horta-lá! Permacultura urbana

HORTA-LÁ! Colectivo de permacultura urbana no Porto.
2011-2013: Conceito, logotipo, website, comunicação.

Para além do website hortala.movingcause.org e de uma página no Facebook (horta.la.permacultura.urbana), a troca de ideias e marcação de encontros acontecia através de uma lista de discussão dedicada a práticas ecológicas no jardim da associação Espaço Compasso, e além-quarteirão. O grupo Horta-lá! nos “google groups” ainda está disponível, aqui!

O lançamento do grupo foi anunciado numa newsletter da Moving Cause enviada a Setembro de 2011: “Horta lá! O bairro está convocado“. Em Abril 2012 apoiamos a divulgação de cursos e encontros no Espaço Compasso com a newsletter “A minha pegada é menor que a tua?“.

O Espaço faz-se de encontros, conversas, oficinas, mãos-na-terra, produção e bem-estar. Faz-se de música, também! E muitas vezes a sacholada no jardim mistura-se com a batida da jam session que vem de dentro. Traz as luvas e as galochas: Horta-lá!, ouvir a abundância da Terra!

O colectivo ainda pode ser contactado através do endereço de email hortala at movingcause.org.

Captura de ecrã do website Horta-lá! Permacultura Urbana
Captura de ecrã do website Horta-lá! Permacultura Urbana

Mobilizamos utopias concretas